Segurança alimentar · 7 min de leitura ·

O registro do dia de produção: o que anotar e por que um auditor pede

Uma receita diz o que você pretendia fazer. O registro do dia de produção diz o que aconteceu, quando e com qual lote. É o único registro que transforma um lote bom em um lote defensável, e a primeira coisa que um inspetor abre.

A maioria das produções de kombucha mantém algum tipo de registro. A diferença entre um registro que protege você e um que não protege raramente está no formato. Está em as anotações terem sido feitas na hora, em os números críticos estarem lá e em um estranho conseguir seguir uma garrafa de volta até o chá de onde ela veio. Este guia percorre o dia na ordem e diz, para cada anotação, o que escrever e por que alguém pediria isso.

Antes da primeira gota: o que o registro identifica

O cabeçalho da página prende o lote ao mundo. Sem ele, tudo abaixo é um número sem dono.

Na inoculação: os dois números que decidem o PCC 1

A acidificação é o ponto crítico de controle que sustenta a segurança, e ela se decide nas primeiras horas. Duas anotações na hora de inocular contam a história.

Durante a fermentação: medições com horário, não por palpite

Uma única medição final prova que o lote ficou ácido em algum momento. Uma curva prova que a barreira estava lá cedo, que é o argumento real de segurança alimentar. Então o registro precisa de medições em intervalos fixos, cada uma com hora.

Transferência e segunda fermentação: a divisão vira registros novos

Quando uma base vira vários sabores, o registro tem de seguir o líquido. Cada tanque de segunda fermentação ou rodada de envase recebe a sua própria anotação, apontando para o lote base.

No envase: álcool, lotes, amostra de retenção

O envase é onde o segundo ponto crítico de controle é verificado e onde começa a metade para a frente da rastreabilidade.

O que um auditor lê primeiro

Inspetores não leem registros do jeito que produtores os escrevem. Pelo que os guias de segurança alimentar para kombucha pedem e pela forma como as inspeções costumam correr, a ordem é mais ou menos esta.

  1. Os limites críticos estão escritos, e foram cumpridos? O cruzamento do pH e o resultado de álcool, com horas. Lacunas aqui são o apontamento.
  2. As anotações foram feitas na hora? Mesma caneta, mesmo dia, valores que variam como medições reais variam. Uma página preenchida depois parece exatamente isso.
  3. O que aconteceu quando algo deu errado? Um registro sem nenhum desvio é menos crível do que um com três desvios e três ações corretivas.
  4. O instrumento é confiável? O registro de calibração do pHmetro: tampões usados, data e quem fez. Uma medição com um medidor sem calibração é um chute com casas decimais.
  5. Eles conseguem rastrear uma garrafa nos dois sentidos? De um lote na prateleira para trás até a entrega do chá, e de um ingrediente suspeito para a frente até cada cliente que recebeu produto feito com ele. Cronometre: a meta são minutos.
  6. Os registros antigos ainda estão lá? Os prazos de guarda variam por país. O decreto brasileiro para produtores pede que os registros sejam guardados por 18 meses; outras autoridades pedem de seis meses a dois anos. Guarde pelo prazo mais longo que se aplica a você, e saiba qual é.

Papel, planilha ou software

Papel funciona quando há disciplina, e falha em silêncio quando não há: uma folha esquecida no porão, uma medição lembrada mais tarde. Planilhas acrescentam aritmética e perdem história, porque editar uma receita ou uma célula reescreve o passado sem deixar rastro. Software ajuda mais quando o registro não é um documento à parte, mas o próprio lote: medições com carimbo de hora, lotes baixados conforme são usados, o desvio e a ação no mesmo lugar, e o registro HACCP construído a partir de anotações que já existem. Use o que usar, o teste é o mesmo. Abra um lote qualquer de três meses atrás e tente responder às seis perguntas acima sem sair da página.

A lista de uma página

Pendure ao lado do tanque até virar hábito.

Perguntas frequentes

Com que frequência devo medir?
Diariamente nos primeiros dias da fermentação primária, quando acontece a queda de pH que sustenta a segurança, e em cada transferência, adição e envase depois disso. Se o seu processo é mais lento ou o seu porão é frio, meça mais, não menos. O intervalo importa menos do que o fato de as medições terem hora e estarem completas.
Preciso da acidez titulável se já meço o pH?
O pH é o número contra o qual o seu limite crítico está escrito, então é o que você não pode pular. A AT acrescenta quanto ácido existe, o que explica o sabor e ajuda a definir pontos finais consistentes. Muitas produções pequenas registram o pH em todo lote e a AT em marcos fixos.
O registro pode ser digital?
Sim, desde que uma anotação não possa ser alterada sem rastro, que as anotações tenham hora e que o registro possa ser mostrado a um inspetor quando pedido. Uma planilha que qualquer um pode sobrescrever passa mal no primeiro teste; um sistema com histórico de lote passa bem. Se um formato específico satisfaz a sua autoridade local, quem decide é ela, não o software.
Por quanto tempo guardo os registros do dia de produção?
Mais do que você imagina. Os prazos de guarda vão de seis meses a dois anos conforme o país, e o decreto brasileiro para produtores pede 18 meses. Guarde pelo prazo mais longo que se aplica a você, e guarde os registros de calibração e limpeza pelo mesmo tempo, porque uma medição vale o que vale o medidor por trás dela.
BrauMo faz do registro do dia de produção o próprio lote: medições com carimbo de hora, lotes de ingredientes e de sabor baixados conforme são usados, as notas de temperatura de inoculação e pH no lote, o registro de calibração do pHmetro e o registro HACCP construído a partir de anotações que já existem. Só documentação: registra e relata, nunca bloqueia um lote. Veja como os registros são mantidos →

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