Do pedido à fatura: os documentos que uma entrega no atacado realmente precisa
Orçamentos, notas de entrega e faturas são o maior bloco de papelada do mês em uma produção pequena, e a nota de entrega é a que mais importa. É nela que os seus números de lote saem do prédio, o que a torna um registro de segurança alimentar que a maioria arquiva como romaneio.
Vender um palete para uma loja ou um café coloca três documentos entre o pedido e o dinheiro. Parecem burocracia, e dois são em parte, mas um deles é a metade para a frente da sua rastreabilidade. Este guia é sobre qual pergunta cada um responde, o que precisa constar, e por que as horas vão para redigitar e não para escrever.
Três documentos, três perguntas diferentes
- O orçamento ou a confirmação de pedido responde o que foi combinado antes de qualquer coisa se mover: produto, quantidade, preço, condições de entrega, condições de pagamento.
- A nota de entrega responde o que se moveu fisicamente, quando, e quais lotes foram junto.
- A fatura responde o que é devido e até quando.
Eles não são intercambiáveis, e a falha comum em uma produção pequena é juntar tudo em um. Uma fatura que serve de nota de entrega perde o registro de lotes, porque ninguém escreve número de lote em fatura. É o momento em que a rastreabilidade para na sua porta.
A nota de entrega é um registro de segurança alimentar
Você já acompanha quais ingredientes entraram em qual lote. A nota de entrega é o caminho contrário: qual lote foi para qual cliente. Sem ela você sabe o que produziu e não para onde foi, e um recall vira uma ligação para todo mundo.
O que precisa constar:
- Quem e quando. Seus dados, o cliente, o endereço de entrega se for outro, e a data em que a mercadoria realmente saiu.
- O quê, por formato. Produto e quantidade por linha, nas unidades em que você vende: garrafas, caixas, barris.
- Números de lote, por linha. É a parte que se pula e a parte que importa. Se uma linha cobre dois lotes, são duas linhas.
- Retornáveis na ida e na volta. Barris e caixas saindo e vazios recolhidos, no mesmo documento, para a contagem fechar em um lugar só.
- Um comprovante de recebimento. Alguém do outro lado confirmando o que chegou. Uma via assinada é a sua prova de que foi entregue e em que estado.
Guarde a sua via pelo menos tanto tempo quanto os registros de lote para os quais ela aponta. Um registro de lote e uma nota de entrega que não podem ser ligados valem bem menos do que os dois aparentam.
O orçamento: combinar antes de carregar a van
O orçamento é o documento mais barato de pular e o que causa as discussões. Ele fixa preço, quantidade, janela de entrega, depósito se houver e condições de pagamento, por escrito, antes de alguém comprometer mercadoria.
Para um produtor pequeno ele faz um segundo trabalho que não tem nada a ver com o cliente. Escrever o orçamento é o momento em que você confere se consegue mesmo entregar aquele volume naquela data, contra os tanques que tem e as fermentações que já estão rodando. Um orçamento aceito sem essa conferência vira um dia de produção que você não consegue cumprir.
A fatura, e onde as regras são locais
Uma fatura tem um núcleo confiável em qualquer lugar: quem cobra de quem, um número único em sequência sem falhas, a data, o que foi fornecido, o valor e como o imposto é tratado. Além desse núcleo, o detalhe obrigatório é definido localmente, então peça a lista do seu país ao seu contador em vez de copiar um modelo da internet.
Duas coisas que vale saber além do núcleo:
- Depósitos aparecem como depósitos. Dinheiro retido por barris ou caixas retornáveis não é faturamento, e deveria estar visível como uma linha separada, tanto pelo cliente quanto por você.
- Uma fatura eletrônica estruturada não é um PDF. No comércio entre empresas na UE, uma fatura legível por máquina é cada vez mais esperada em vez de opcional. Um PDF enviado por e-mail pode já não servir para o que o cliente precisa para processá-la.
E algo que se confunde com frequência: uma fatura comercial não é um documento fiscal. No Brasil a NF-e é uma obrigação separada, emitida por um sistema fiscal, e um aplicativo de gestão de produção não é emissor fiscal a menos que diga isso expressamente. Use o que usar para tocar a produção, a nota fiscal continua com o sistema ou com quem tem autorização para emiti-la.
Para onde as seis horas realmente vão
Quase nada disso é escrever os documentos. É colocar a mesma informação três vezes.
- O pedido é digitado em um orçamento, o orçamento redigitado em uma nota de entrega, a nota redigitada em uma fatura.
- Os números de lote são copiados à mão do registro do lote para a nota de entrega, que é exatamente o passo em que um dígito troca de lugar.
- O preço é consultado de novo em cada documento, e o terceiro discorda do primeiro.
- O fechamento do mês vai para conciliar os três, porque eles nunca foram um registro só.
Existe um teste simples para saber se isso está te custando. Pegue um número de lote de três meses atrás e tente listar todos os clientes que o receberam, sem abrir um segundo arquivo e sem contar com a memória. Se isso levar mais que uns poucos minutos, a papelada não está arquivada, está espalhada.
Um mínimo que funciona, mesmo no papel
Nada disso precisa de software para estar certo. Precisa ser uma corrente e não três hábitos.
- Uma sequência numerada por tipo de documento, sem buracos.
- Números de lote em toda linha de entrega, sempre, inclusive em amostras e brindes.
- Uma tabela de preços, em um lugar, da qual os três documentos leem.
- Nota de entrega e fatura se referenciando pelo número.
- Retornáveis controlados na nota de entrega e não na cabeça de alguém.
- Vias guardadas pelo mesmo tempo que os registros de lote para os quais apontam.
O software ajuda quando os três documentos são visões de um mesmo pedido e não três arquivos que por acaso concordam. Essa é também a diferença que torna a busca de um lote imediata em vez de uma caçada.
Perguntas frequentes
Preciso de nota de entrega se eu faturo na hora?
O que legalmente precisa estar na minha fatura?
Fatura eletrônica estruturada é a mesma coisa que mandar um PDF?
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